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MOMENTOS DOS ALUNOS DO CURSO DE COSTURA INDUSTRIAL - INSTITUTO MATHEUS DE LIMA


quarta-feira, 30 de julho de 2008

UMA NOVA CHANCE DE VIVER

Domingo, quatorze de fevereiro de 1999, o dia que mudou definitivamente a vida de um jovem de 23 anos e pai de seis filhos.

Claudio Ferreira de Souza, hoje com 31 anos relembra o dia em que a sua vida mudou.
Eram cerca de oito horas da manhã quando Claudio e sua família entraram em um barco em Pirapora – MG para fazer turismo no rio São Francisco. Depois de algum tempo navegando o barco parou, pois eles pediram ao piloto que parasse em algum lugar para poder dar um mergulho no rio.

Depois de o barco parar, as pessoas no barco começaram a mergulhar, Claudio e seu irmão subiram na parte mais alta do barco e pularam. Seu irmão pulou primeiro e quando caiu na água ele gritou, tinha quebrado o pé, não havia meio metro de profundidade, ele pulou em um banco de areia no meio do rio. Não deu tempo de avisar ao Claudio que imediatamente ao grito de seu
irmão, mergulhou de cabeça no banco de areia.


Claudio com seus seis filhos: Kamila, Déborah, Luis Claudio, Isadora, Jaqueline e Claudio Gabriel.

O barco em que eles estavam não tinha nenhum suporte para este tipo de acidente. Levou horas para eles conseguirem chegar ao hospital mais próximo. O hospital também não tinha recursos para tratar do caso específico dele e seria necessário transferi-lo para uma outra cidade.
A única ambulância disponível que tinha, estava sem motorista, pois como era feriado de carnaval, o motorista estava há três dias praticamente sem dormir.

O percurso para Brasília foi difícil, pois eles tiveram que parar várias vezes no caminho para dar café, guaraná ou o que fosse necessário para o motorista ficar acordado e conseguir dirigir a ambulância.
Eles chegaram ao Hospital de Base em Brasília por volta das onze horas da noite, deitado em uma maca sem colchão, claudio só foi atendido por volta das 4 horas da manhã, ele já não sentia mais os braços e nem as pernas.
Claudio passou meses internado em hospitais, teve três paradas cardio-respiratórias, fez várias cirurgias, se casou, separou, casou de novo, tudo isso após ficar tetraplégico.


Por vários meses ele foi voluntário aqui no INSTITUTO MATHEUS DE LIMA, é um dos sócios-fundadores, foi um dos criadores do informativo NOVA VISÃO, foi um dos maiores incentivadores e executores do projeto FAÇA UMA CRIANÇA ESPECIAL FELIZ.

Claudio e seu grande amigo André em Natal.

Hoje nosso amigo Claudio mora em Natal com a sua mãe, mas não vê a hora de voltar para Niquelândia e voltar a colaborar com o Instituto.


Esta é um dos grandes exemplos de como uma pessoa com necessidades especiais não precisa e não deve nunca se entregar, nós sabemos que não é fácil, mas com a colaboração da família, amigos e com incentivos das autoridades, estas necessidades especiais se transformarão em qualidades especiais que todos nós devemos aprender a respeitar.

Um comentário:

Anônimo disse...

adorei a reportagem, apesar de ser um pouco triste. Realmente a história de vida do meu pai (Cláudio Ferreira de Souza) é incrível, tenho orgulho de ser filha dele, ele é realmente um exemplo de vida, que continue sempre assim pai, firme e forte, para fazer feliz também as pessoas que te amam muito como eu (sua filha Déborah)
beijão!!

UMA LIÇÃO DE HUMILDADE

Aos sete meses de idade descobrimos no hospital Anchieta, em Taguatinga-DF, que Matheus era portador de agenesia do corpo caloso, o que retardaria seus movimentos e raciocínio.
Numa reação normal de pai apaixonado pelos filhos (Tatiana, George, Themis Cristina, Aline e Carlos Matheus) me dirigi ao Hospital Sarah Kubitschek,em Brasíllia-DF, e arrogantemente quis impôr meus direitos alegando ser funcionário do Senado e exigia atenção redobrada para o meu filho.

“-Estou com um grande problema, exijo atenção!
Pacientemente me encaminharam para uma sala aonde várias pessoas aguardavam e contavam a sua história.

Uma senhora expôs a sua situação: Havia viajado durante vários dias de carona em caminhões, proveniente do estado do Acre, e ao chegar em Brasília para cuidar do filho, não tinha sequer aonde morar, pois não conhecia ninguém na cidade.

A orientadora do hospital se dirigiu a mim e perguntou:
-O senhor ainda acha que tem um grande problema?

Foi aí que eu concluí:
-Quando olhamos para nosso próximo é que vemos quem realmente somos. Toda aquela grandeza que me revestia não foram suficiente para impedir a deficiência do meu filho.
Por outro lado descobri que aquela criança que Deus entregou em minhas mãos me tornava bem maior do que imaginei, pois, a partir daquele momento eu aprendi que nossa pequinês pode ser tão infinita quanto a nossa grandeza.
Tudo depende da ótica que assumimos para encarar a vida.
Com covardia ou com coragem, com descrença ou fé, com rancor ou com AMOR
.

Obrigado meu Deus por me entregar essa responsabilidade.
Obrigado à Mãe do Céu por me conduzir na nobreza dessa tarefa.
Beto Lima